terça-feira, 9 de agosto de 2011

A integração Regional de Angola na SADC: Mito ou Realidade



A Fundaçao Open Society Angola em parceria com a Universidade Catolica de Angola, realizam nos dias 09 e 10 de Agosto do corrente ano de 2011, na sala Diamante do Hotel Alvalade em Luanda a conferencia com o tema:
A integração Regional de Angola na SADC, mito ou realidade, o objectivo principal da conferencia em promover uma discussão publica  entre os participantes e convidados, e estratégica sobre as oportunidades, desafios e constrangimentos da integração regional efetiva de Angola na SADCe seu impacto na vida dos cidadãos membros da SADC e interesses dos Cidadãos Angolanos 
Esta agendado os seguintes Painéis:
Painel I: O Processo da Integração Regional 
Painel II: Situação Efetiva dos Protocolos da SADC
Painel III:Vantagens e oportunidades da Cooperaçao Ragional
 Painel IV:Proteção dos Direitos Humanos na SADC
A conferencia teve  como convidados os grandes ilustres e mestres na matéria os seguintes preletores:
Vicente Pinto de Andrade, Economista e docente Universitário que abordou o tema: As origens da SADC: dum arranjo politico para uma zona de integração econômica
Abel Chivukuvuku, politico e membro do Comité Central da UNITA, que abordou o tema: Convergencia politica com os interesses das populações
Ana Celeste Januário,Jurista e membro da Secretaria do Estado dos Direitos Humanos em Angola, na qual abordou o seguinte tema: Angola e os processos da Ratificação dos protocolos
Jorge Cardoso, Docente Universitário e membro do Centro de Estudos de Investigação Cientifica-CEIC, que abordou o seguinte tema:Os protocolos econômicos e a sua ratificação por Angola
Dr. Alves da Rocha, Docente Universitário da Universidade Catolica de Angola, economista  que abordou o tema: A situação Econômica  na SADC apos a Crise Financeira
Roshnee Narrandes, ativista  que abordou o tema: Que papel pode ser desempenhar a economia Sul Africana no processo de Cooperação Regional da SADC
Fernando Macedo, ativista e Docente Univesitario, que abordou o tema: Proteção dos Direitos Humanos na SADC, Caso de Angola
Leopordo  Amaral, ativista de Direitos Humanos, Decente Universitario em Maputo Moçambique, e Membro da Osisa Africa do Sul, que abordou o tema: Proteção dos Direitos Humanos na SADC, caso de Moçambique
Patricia Chikodiz, ativista de Direitos Humanos do Zimbabwe, que abordou o tema: Proteção dos Direitos Humanos, caso do Zimbabwe 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Reflexão Sócio-Teológica sobre “A BÍBLIA E OS DIREITOS HUMANOS” - Elias Mateus Isaac



Luanda - Introdução
Os conceitos sobre direitos humanos foram fundamentalmente concebidos pelos países ocidentais maioritáriamente “cristãos” logo depois da desastrosa e catastrófica 2ª guerra mundial com objectivo de controlar e estancar as loucuras egocentristas humanas de supremacia racial, política, economica e mesmo religiosa. As attudes e práticas de intolerância, ódio e exclusão fizeram com que estes países afectados pelas teologias “reformistas” de Martinho Lutero reconhecessem a santidade e integridade da vida humana e aprovaram em 1948 a Convenção International dos Direitos Humanos. A abordagem e o entendimento dos direitos humanos nos países Africanos, tem sido na maior parte das vezes incorrecto, incoveniente e mesmo um incômodo para os poderes políticos, económicos e religiosos.
Na celebração dos 50 anos da Convenção Internacional dosDireitos Humanos, o Concelho Mundial das Igrejas produziu uma cartilha comparativa entre os vários artigos da Convenção e os preceitos Bíblicos que garantem as liberdades e os direitos humanos. A Bíblia começa com a enfatização da santidade e integridade da pessoa humana seja qual fôr o seu estado existencial. As liberdades e os direitos contidos na Constituição da República de Angola são “bons” formalismos jurídicos que por si só não garantem nada até que sejam traduzidos, efectivados e incorporados nas políticas públicas que afectam a vida dos cidadãos e em particular os mais empobrecidos, excluídos e oprimidos do nosso país.
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1. A Santidade da Pessoa Humana e os Direitos Humanos
O princípio Bíblico consagra que todas as pessoas foram ùnica e particularmente criadas na imagem e semelhança de Deus (Génesis 1:26-27), e assim entendemos que toda a Vida Humana é sagrada e divina. O Artigo 1° da Declaração Universal dos Direitos do Homem estipula que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espirito de fraternidade”. A Constituição da República de Angola aprovada em Fevereiro de 2010 consagra nos seus Artigos 1º que “Angola é uma república soberana, baseada na dignidade da pessoa humana...” e 2º alínea 2 “A República de Angola promove e defende os direitos e liberdades fundamentais do homem...e assegura o respeito e a garantia da sua efectivação pelos poderes legislativos, executivo e judicial, seus órgãos e instituições,, bem como por todas as pessoas singulares e colectivas”. Também está consagrado no capítulo II, secção I, Artigo 30º, (Direito à Vida) que “o Estado respeita e protege a vida da pessoa humana, que é inviolável”.

Segundo a Bíblia, Deus impregnou em cada pessoa humana a sua imagem e semelhança. A imagem e semelhança de Deus não existem sómente naqueles que acreditam em Jesus Cristo, mas sim em todas as pessoas, sejam quais forem as suas condições e circunstâncias políticas, económicas e religiosas. Todas as pessoas, absolutamente todas, foram criadas e são amadas por Deus, e isto está confirmado no Evangelho de João 3:16: “Porque Deus amou de tal maneira o mundo que deu o Seu Filho Unigénito...”
A Bíblia, no seu Novo Testamento ensina-nos que em Jeus Cristo não existe judeu ou gentio, livre ou escravo, grego ou bárbaro. Isto significa que quando praticamos a maldade, magoamos e fazemos sofrer as outras pessoas; quando desrespeitamos, diabolizamos e denegrimos a dignidade e integridade das outras pessoas só porque são e pensam diferente; quando sômos intolerantes, discriminadores e xenofóbicos políticos ou religiosos; e quando caluniamos, mentimos e injuriamos contra as outras pessoas, fazêmo-lo sob o julgamento de Deus porque é a imagem e semelhança d´Ele que estão sendo violadas, violentadas e destruídas.

Em todo ser humano vive a santidade de Deus, mesmo no maior pecador que se possa considerar, porque Jesus Cristo veio á este mundo para restaurar a imagem e semelhança de Deus que foram roubadas da raça humana e o Senhor Jesus Cristo diz: “Vinde a mim vós todos que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”. Isto significa que o único objectivo, a única missão de Jesus Cristo nesta terra é de resgatar e restaurar a imagem e semelhança de Deus que nos foram roubadas pelas forças da maldade que tentam dominar, empobrecer e destruir as nossas vidas.
O Professor Pastor norte-Americano Rheinold Neibuhr no seu livro clássico entitulado “Homem Moral, Sociedade Imoral” diz que “O Homem não é homem por aquilo que tem em comum com a terra, mas por aquilo que tem em comum com Deus. Os filósofos gregos pensavam em entender o Homem como parte do universo; os profetas pensavam entnder o Homem como parceiro de Deus. Por isso ninguém ouse questionar o princípio da santidade de Deus espelhada em todo e qualquer ser humano. E o único medo que devemos sentir é o de magoarmos, humilharmos, diabolizaemos e dezumanizarmos as outras pessoas”. Na verdade o que o Pastor quer dizer é que a imagem de Deus não é encontrada na pessoa humana mas sim é a própria pessoa e isto significa que a totalidade do ser humano é sagrada e divina, não sómente a sua racionalidade espiritual e moral, como também o seu próprio corpo e toda a sua existência.
Para o Professor Niebuhr “Ė a totalidade do ser humano (mulher e homem) criado na imagem e semelhança de Deus, corpo e alma; ´santos´ e pecadores, ricos e pobres, sábios e analfabetos, ultra conservadores tradicionalistas e liberais, democrátas e ditadores; politicos poderosos e corruptos e povo oprimido e honesto, líderes religiosos prepotentes e expirados e cristãos humildes e obedientes; o homem e a mulher na sua alegria e tristeza, na sua rectidão e fraqueza, ele e ela são a semlhança de Deus. A semelhança de Deus não está no homem e na mulher, é o homem, é a mulher. Isto significa que a dignidade básica da pessoa humana não tem nada a ver com a tribo, região, raça, côr da pele, natureza do cabelo ou o formato do nariz, e muito menos com afinidas familiares. A dignidade humana não tem nada a ver com sucessos ou fracassos políticos e religiosos, vitórias ou derrotas, dons ou incapacidades, talentos ou insuficiências, filiação partidária ou religiosa. Quando estas coisas prevalecem não passam de tentaivas deseperadas do ser humano corrupto, limitado e em pânico que procura deturpar e distorcer a verdade Biblica sobre a dignidade e integridade humana para salvarguardar os próprios inetresses pessoais ou do grupo.
A dignidade e integridade do ser humano é inerente e central no ser de todas as pessoas, inclusível o maluco que come no tambor de lixo e anda nú na rua, e isto depende sómente da vontade suprema do Único Deus Cirador e mais ninguém. Também significa que é a vontade de Deus que cada pessoa seja capaz de estar em contacto com os seus sentimentos de liberdades inerentes de ser alguém com valor e dignidade. E se cada pessoa reflectir bem nisto chega rápidamente a conclusão que a sua dignidade é algo que ninguém lhe pode dar ou roubar. Pode ser sim violentada e violada, mas nunca dada ou roubada por outro ser humano porque ela vem sómenete de Deus e é algo que decobrimos e encontramos. E isto nunca muda, mesmo que os poderes politicos, económicos e religisos ou outras pessoas pensam ou deixan de pensar, classifcam-nos de mdíocres, inferiores, falhados, pecadores, sem nome nem importância. Todos sômos a imagem e semelança de Deus, simples criaturas e têmos um só Criador. E sempre que tratamos as outras pessoas com respeito exibimos a nossa reverência e o nosso temor á Deus o Único Criado da humanidade. A verdade da história Bíblica é que todos sômos criaturas amados da mesma maneira por Deus e seremos julgados da mesma forma cada um segundo as suas obras. Perante Deus não existem super homens ou super mulheres e muito menos sensibilidades, classes ou élites disto e daquilo, sômos todos iguais, simples imagens e semelhanças de Deus.

2. A Afirmação Bíblica dos Direitos Humanos
Os direitos humanos reafirmam a mensagem central Bíblica e a missão de Jesus Cristo declarado em S. Lucas 4 e S. Mateus 25: evangelizar os pobres, proclamar a libertação aos cativos e oprimidos, dar de comer aos famintos, agasalhar os que estão nús, dar aconchego e abrigo aos sem terra e sem tecto, fazer justiça e cuidar das viúvas e dos órfãos e destruir as correntes da opressão e escravatura política, económica e religiosa. E se fizermos isto, segundo Jesus Cristo estaremos a fazê-lo à Ele próprio. Mas também se não o fizeremos estaremos a desprezá-Lo.
É importante não confundirmos caridade e dar esmolas com a garantia e efectivação dos direitos humanos que se fundamenta na práctica institucional da justiça social, económica e a solidariedade humana. A caridade e as esmolas promovem e alimentam a mendicidade, dependência, bajulação e roubam-nos a auto-estima e aceitamos o logo e stereótipo de sermos seres humanos inferiores como um estado normal da nossa existência. Ao contrário disto tudo, direitos humanos garante a efectivação e materialização da igualdade de todos os cidadãos perante a lei, implementa a justiça social e económica e concretiza espaços e oportunidades de tolerância, diversidade e de realização de sonhos e planos pessoais e colectivos sem prejudicar os outros cidadãos. A verdade é que os direitos humanos são um garante da efectivação da imagem e semelhança de Deus em todas as pessoas e para todas as pessoas.
Por este motivo a religião Cristã, a Igreja de Jesus Cristo, isenta do veneno divisionista do denominacionalismo, não existe para si própria ou para os seus membros, “sensibilidades” ou “elites” religiosas e políticas que domingo após domingo se sentam e aquecem os bancos dentro das quatro paredes dos templos. A religião Cristã não é o seu próprio fim. Ela existe como um instrumento, um corpo unido e composto por diversidade de pessoas, talentos, dons e revelações para repor e restaurar a imagem e semelhança de Deus em todo o ser humano, resisitindo e destruindo a opressão, a discriminação, a exclusão, a miséria, o sofrimento, a mendicidade, a indigência e o empobrecimento em que as pessoas são submetidas e desumanamente forçadas a viver por regimes totaltários e corruptos e muitas vezes com a cumplidade do silêncio dos ” poderes” religiosos. Na verdade o sindroma do denominacionalismo é a expressão mais agressiva da intolerância, da divião humana, do totalitarismo religioso e da repressaão da liberdade de expressão e de religião e concumitantemente da violação dos direitos humanos.

3. Os Direitos Humanos, a Mensagem dos Profetas e o Evangelho de Jesus Cristo


A garantia e efectivação dos direitos é a reafirmação da missão do ministério dos profetas do Antigo Testamento que sempre pregaram a prática diária do amor ao próximo com justiça social e solidariedade humana. A fé e a religião dos profetas são na essência a efectivação dos direitos humanos como exigência divina duma sociedade de justiça social e económica. O significado da Cruz de Jesus Cristo na ética dos profetas nunca nos mente que a graça de Deus não tem preço porque todos os que buscam Deus em espírito e em verdade conhecem o preço deste ministério que custou a vida do Filho de Deus. A graça e o amor de Deus não existe sem a Cruz de Jesus Cristo, e esta graça não é barata e sem valor porque se assim fôsse não valeria pena acreditar nela.
Como pecadores, quando pedimos o perdão pelos pecados cometidos, sejam quais forem, Deus livre e incondiconalmente perdoa porque a sua graça é grátis, pago na vida e sacrifício do seu filho Jesus Cristo. Por esta razão toda nossa atitude e todo nosso comportamento no mundo para com as outras pessoas e em particular para com os mais fracos e diferentes de nós muda e melhora radicalmente, porque quem vive já não sômos nós mas é Cristo que vive em nós, e parafraseando as palavras do apóstolo Paulo logo depois da sua conversão “quem está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez de novo”.

A verdade é que, se antes da minha conversão eu maltratava outras pessoas que pensavam diferente; se eu odiava pessoas que não eram da minha aldeia ou denominação religiosa, tribo ou província; se eu odiava pessoas que não pensavam nem agiam como eu; se eu odiava as pessoas que não eram do meu pensamento; se eu odiava as pessoas que não eram do meu pensamento político e afiliação partidária e os tratava como malfeitores, criminosos perpétuos, inferiores, corruptos, agentes e fantoches que servem interesses estrangeiros; se eu antes nutria preconceitos retrógados e perigosos do obscurantismo, perseguição e destruição moral, espiritual e física das pessoas que agiam diferente do meu jeito de pequenez e insuficiência; se antes da minha conversão eu pensava que ser priveliagiado e líder é um direito e monopólio “sagrado” mesmo que isto significasse o sofimento, empobrecimento, a miséria, exclusão de outras pessoas e grupos; se antes da minha conversão eu acreditava que ter autoridade significa oprimir, inimidar, silenciar todos os que não pensam e não concordam conmigo; Então a única coisa possível é que depois da minha conversão, depois de receber a graça de Deus e aceitar Jesus Cristo como meu Salvador pessoal as minhas atitudes e os meus comportamentos devem mostrar os frutos da mudança e da transformação individual e do grupo onde existimos e sômos (Gálatas 6).
O princípio básico do entrosamento entre a mensagem profética e os direitos humanos é o reconhcimnto divino que em todas as pessoas, em toda a raça humana vive a imagem e a semelhança de Deus, o Criador, o Salvador que nos perdoa e ama, e nunca nos julga mas que ainda nos sustenta e nos chama de amigos, seus filhos e suas filhas herdeiros do reino de Deus.
A religiosidade do denominacionalismo defende e força sobre as gargantas das pessoas o evangelho das tradições e costumes que constrói muros, paraliza a fé, e produz a cegueira e uma visão espiritual curta e insuficiente do poder de Deus. A religião denominacioal anastesia a mente espiritual das pessoas que não conseguem descobrir o mistério do poder de Deus, simplesmente porque os seus líderes estão maios interessados a manterem o povo de Deus no obscurantismo espiritual, na complacência e apatia para protegerem os seus privilégios e interesses pessoais e de grupos. A religião do denominacionalismo anastesia o povo de Deus e efectua lavagens cerebrais religiosas, em vez da conversão do coração e obriga as pessoas a aceitarem sem questionarem e expressarem a sua liberdade de pensamento e de religião. O povo de Deus conforma-se mesmo não concordando transformando-se o denominacionalismo numa das religiões mais anti-democráticas, intolerantes e violadora dos direitos humanos hoje. O centro da religiosidade do denomnacionalismo é a protecção das tradições, costumes e doutrinas humanas e não verdadeiramente o evangelho de Jesus Cristo que promove o amor ao próximo e uma sociedade livre, tolerante, onde abundam o amor, a justiça, a paz e a solidariedade humana.
A Bíblia ensina-nos que a religião Cristã preocupa-se essencialmente com a pessoa humana, com o seu bem estar espitual, material, moral e físico, na sua totalidade. As pessoas que aceitam o chamamento de Jesus Cristo “vinde à mim vós todos que estás cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” estão livres dos fardos das tradições e costumes e doutrinas humanas que não têm poder nnhum para salvar. Jesus Cristo chama as pessoas na sua totalidade com mentes, corações e almas trancadas aos seus corpos. Isto significa que tanto a alma, a mente, o coração assim como o corpo são sagrados aos olhos do Criador e Salvador Deus. O Rev. Dr. Martin Luther King Jr. disse que : “Toda a religião verdadeira na sua natureza tem de estar preocupada com as condições sociais do homem. A Fé Cristã trata das coisas celestiais e terrestres; Ela lida com o tempo e a eternidade; A Fé Cristã não funciona sómente num sistema vertical dos Céus para a nós, mas também na forma horizontal entre homens e entre as mulheres. A Fé Cristã procura integrar homens e mulheres com Jesus Cristo, como também homens e mulheres entre si mesmos”.

No fundo, isto significa que a Bíblia tem duas estradas: dum lado procura transformar as almas e vidas dos homens e mulheres, desta forma uni-los com Deus; e do outro lado procura transformar as condições politicas, sociais, económicas e religiosas em que estão repressivamente submetidas. Qualquer religião que está simplesmente preocupada em salvaguardar as suas tradições, costumes, doutrinas e que tenta salvar as almas do inferno e não se preocupa com as condições existenciais das mesmas é uma religião seca como o pó da terra. Tal religião ou denominação é classificada por genuínos Marxistas-Leninsitas como “o Ópio do Povo”.
O ministério profético da Igreja de Jesus Cristo é na sua essência a garantia e efectivação dos direitos humanos e isto exige uma nova visão espiritual e missionária da própria Igreja e a transformação e compreensão radical da intelectualidade dos “actuais poderes” religiosos sobre a Bíblia como a suprema Palavra e Revelação de Deus para a raça humana. O evangelho de Jesus Cristo e a mensagem dos profetas estão muito mais preocupados com aquilo que acontece com as pessoas aqui na terra do que com aquilo que acontecerá depois da morte. A religião Cristã sabe muito pouco daquilo que vai acontecer depois da morte. O pouco que sabemos é fundamentado na ressurreição de Jesus Cristo e nos seus ensinamentos. O resto são meras imaginações inspiradas e alimentadas pela nossa fé na Palavra de Deus. Definitivamente o negócio principal da Bíblia assim como dos direitos humanos é transformar e melhorar o habitat e as condicoes sociais, políticas, económicas e religiosas em que as mulheres e os homens de toda a raça humana vivem e existem.

4. O Símbolo da Cruz de Jesus Cristo e os Direitos Humanos
A religião Cristã tem como o símbolo principal da sua fé a Cruz de Jesus Cristo que na qual todas as denominações religiosas “cristãs” mal ou bem se auto-identificam como seguidores e devem carregá-la todos os dias. O apóstolo Paulo na sua missiva aos cristãos em Gálatas dizia que os mais esclarecidos e mais fortes na Fé devem carregar a carga dos mais fracos e activamente participarem na resturação da imagem e semelhança de Deus em cada um deles. O tamanho da nossa religiosidade e da nossa fé não são definidos ou determinados pelo fervor fanático e cego, e mesmo ignorante da nossa intransigente defesa pelas tradições e costumes das nossas denominações ou o número de horas e anos que nos sentamos nos templos. O tamanho da nossa religiosidade e da nossa fé é medida pelo tempo que gastamos a praticar o bem e a destruir a maldade e os centros da injustiça, corrupção e empobrecimento que destroiem a imagem e a semelhança de Deus nas pessoas e muitas delas compõem a maioria dos membros das religiões denominacionais cristãs em Angola.
Promover e proteger os Direitos Humanos é reafirmar sem equívocos nem receios o símbolo da Cruz de Jesus Cristo, o Salvador do Mundo, incluindo os poderes e sitemas politicos, económicos e religiosos que são opressivos, repressivos corruptos e injustos e precisam duma urgente conversão e transformação cirúrgica. O Rev. Dr. Martin Luther King Jr. disse em 1963: “O Cristianismo tem sempre insistido que a Cruz de Cristo que carregamos antecede a coroa que almejamos um dia vestir. Então para sermos verdaeiros cristãos temos que tomar a nossa Cruz com todas as suas dificuldades e consequências, todas as suas agonias e dores, com todas as suas tensões e contradições e carregá-la até que esta própria ponha as suas marcas em nós e liberta-nos do medo e da opressão para uma vida mais excelente”

Contudo, parece que os Cristãos em Angola foram chamados a carregarem as suas almofadas para descansarem à sombra da bananeira, viverem em paz e harmonia com os poderes da injustiça, repressão, corrupção, miséria e empobrecimento do povo de Deus. Muitas pessoas estão mais ocupados e preocupadas em como se beneficiarem da miséria e desgraça dos pobres que nem sequer podem reivindicar os seus direitos contidos na Constitução. Preferimos a cumplicidade do silêncio, da neutralidade e mesmo do alinhamento camuflado. E mais uma vez o Rev. Dr. Martin Luther King Jr diz que: ”Há tempos em que o silêncio e o medo são equivalentes a traição”.
Um dos maiores problemas dos poderes políticos, económicos e religiosos é o hábio que têm de simplsmente conseguirem verem as coisas do seu ponto de vista e a partir dos lugares de autoridade, privilégios, favores, conforto e sínicamente acreditarem que o destino foi traçado para uns serem poderosos, ricos e opressores e outros fracos, pobres e oprimidos. Infelizmente só conseguem saber aquilo que vêm e não conseguem ver aquilo que sabem que é a desumanização, miséria, exclusão dos outros seres humanos que são forçados a aceitar a viver uma vida de empobrecimento e injustiça sistémica levada a cabo por um Governo que parte as suas casas e deixa-os ao ar livre nas matas com crianças sem escola, sem saúde, pais sem empregos e mães que não sabem o que dar de comer aos seus filhos num país que produz mais de 2 milhões de barris de petróleo por dia. Isto não é normal e não pode ser aceite pela Igreja de Jesus Cristo. A Bíblia chama a estes poderes políticos, económicos e religiosos de cegos que têm olhos mas não vêm e infelizmente vêm muito mal mesmo aquilo que só querem ver.
A maior parte das vezes são os próprios pregadores da Palavra de Deus que por causa do medo, favores e privilégios que beneficiam, aplicam dozes exageradas de complacência, submissão e subserviência com o objectivo de produzirem resignação, paralisia e apatia total dos seus membros transformando-os em patéticos, indiferentes e complacentes, aceitando tudo e mais alguma coisa, incluindo a sua própria desumanização como pré-destinação Divina para herdarem o reino dos céus. Os fariseus, escribas e saduceus resistiram, odiaram e mataram Jesus Cristo simplesmente porque a sua mensagem de libertação, dignidade humana, justiça era uma ameaça aos seus interesses pessoais e de grupo.

5. A Imparcialidade Bìblica dos Direitos Humanos
A Bíblia assim como os direitos humanos, são na sua essência uma voz da esperança e o acreditar que o amanhã pode ser melhor que o dia de ontem e de hoje se os homens e as mulheres amarem-se um pouquinho mais e deixarem de serem egoístas, elitistas, gananciosos, odiosos, invejosos e falsos. A luta pelos direitos humanos é simplesmente o afirmar do nosso descontantamento pela miséria e empobrecimento sistémico e institucional de milhões de Angolanos, não porque o país é pobre, mas sim porque prevalece o egoísmo, a ganância, a corrupção, a injustiça, falta de amor ao próximo e de solidariedade humana. A luta pelos direitos é simplesmente o reivindicar dos direitos e liberdades constitucionalmente estabelecidos mas constantemente violados e violentados pelos poderes políticos, económicos e religiosos. Acreditar na Bíblia e nos direitos humanos é de facto uma negação inequívoca com o status quo, com o contentamento da mediocridade e mendicidade e acima de tudo contra a tirania, o totalitarismo, a inolerância e contra a insanidade humana de uns pensarem que são mais humanos e donos do que os outros e merecem ter mais mesmo roubando e espoliando o erário público que é pertença de todos e em particular dos mais pobres e fracos.

A promoção e protecção dos direitos humanos são na verdade uma reivindicação Bíblica de justiça social, económica e liberdade religiosa para toda a raça humana e em particular aqueles que estão cansados e oprimidos pela opressão e exclusão, perseguição e desumanização. A concretização dos direitos humanos é a única esperança dum povo que sofre e é empobrecido num país onde parece que nada melhor pode acontecer ou mudar o curso do seu sofrimento porque os sistemas políticos, económicos e religiosos perderam a visão ideológica e todos concordam com o destino sub-humano e miserável do povo e irónicamente fazem lembrar o povo que no tempo colonial já existia pobreza. Será que se podia esperar uma coisa melhor dum sistema colonial, ocupacionista, racista, ditador, repressor e rxplorador? Então qual foi razão da Luta de Libertação Nacional? Ou será que realidade não existe diferença entre o regime actual e o regime colonialista?

Os direitos humanos e a Bíblia têm como mensagem fundamental desafiar e transformar sem paixão nem compromissos todos os sistemas e estruturas políticas, econónicas e religiosas produtoras e geradoras da opressão, pobreza, sofrimento, miséria, exclusão, ódio e intolerância. O Evangelho de Jesus Cristo é contra e qualquer estrutura política, económica e religiosa que fomenta o amordaçamento dos direitos humanos. Jesus Cristo em S. João 8:36 diz “Se, pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. O Pastor Prof. Americano Abraham Heschel diz que : “Os culpados da desgraça do povo são sempre poucos, mas todos sômos responsáveis”.
Talvez não te consideras excluído politica, económica e religiosamente por pertenceres ao grupo que detem os privilégios, as benesses e os favores. Talvez não te sintas culpado pela desgraça e miséria em que vive a grande maioria do povo Angolano. Tudo muito bem! Mas na verdade és responsável da forma como respondes e ages ante ás desgraças, miséria, desumanização e empobrecimento forçado em que os outros Angolanos estão sendo submetidos. Os culpados desta desgraça na verdade são poucos mas todos somos responsáveis pelo menos moral, espiritual e religiosamente.
Os direitos humanos, assim como a Bíblia não têm partidos políticos cuja virtude principal é dividir o povo em bandeiras e fomentar a desconfiança, indiferença, discriminação e exclusão; Os direitos humanos e a Bíblia não têm tradições nem doutrinas religiosas denominacionais que só fomentam a intolerância, o extremismo, e o esvaziamento do Evangelho de Jesus Cristo. Os Direitos humanos e a Bíblia têm simplesmente a ver com a dignidade e integridade do ser humano criado na semelhança do Único Deus Vivo e Verdaeiro, Criador dos Céus e da Terra e nada mais. Eles assumem em toda sua dimensão a responsabilidade da proclamação do reino do Amor, Perdão, Justiça, Paz, Vida em Abundância, Tolerância, Harmonia, Convivência na diferença e deversidade de todas as filhas e todos os Seus filhos e de toda a Criação de Deus.
A promoção dos direitos humanos e a proclamação do Evangelho de Jesus Cristo (Bíblia) é o quebrar das algemas da desumanização, é o quebrar das barreiras artificiais que promovem o “apartheid” moderno da separação e exclusão das relações humanas; é o promover da irmandade e solidariedade da raça humana e em particular do povo Angolano que sobrevive num sistema político, económico e religioso alicerçados nas desiguladades, injustiças, intolerâncias, exclusões e desrespeito da santidade da vida humana. Acreditar nos preceitos Bíblicos e ser “militante” de direitos humanos é ter consciência duma missão, dum “chamamento” e não uma curiosidade para obter-se fama ou ser estimado e acarinhado pelos sistemas políticos, económicos e religiosos, antes pelos contrário é ser odiado, perseguido e mesmo destruído da mesma forma que o Mestre foi visceralmente odiado, perseguido e com mentiras, falsas acusações e calúnias levarem-no á cruz do calvário onde fria e brutalmente O assasinaram.
A agenda dos direitos humanos e a mensagem de salvação Bíblica são a promoção do dia da libertação de todas as pessoas até a segunda vinda do Senhor, mas não nos esqueçamos que ela tem um preço muito elevado que temos que pagar. O Rev. Dr. Wiliiams Augustus Jones diz que: “Haverá sempre alguém que dirá “mas eles já não escutam` porque os seus corações endureceram`; mesmo assim prega a palavra; mas se eles queimarem as Bíblias: continua a pregar; suponhamos que eles distorcem a verdade e comecem a acusar-nos: prega a palavra na mesma; E se eles rejeitarem?: Continua a pregar a palavra; Suponhamos que eles falsamente nos prendem `ou nos expulsam`: Então faça da tua cela e o mundo de Deus um local de pregação do Evanegelho de Jesus Cristo, O salvador”.
Se compararmos o art. 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Provérbios 22:2, Actos 10:3, e o artigo 30º (Capítulo II, Seccção I) da Constituição de Angola entenderemos claramente que os direitos humanos não são uma dádiva dos governantes para com as vítimas que são o povo. Não! A promoção dos direitos humanos, assim como as promessas do Evangelho de Jesus Cristo não se fazem nun vazio, num abstracto ou com formalismos legais, falsas promessas eletoralistas e de utopias celestiais. Elas fazem-se no concreto da realidade da vida das pessoas e exige uma transformação, correcção e conversão hoje e não amanhã. Os sistemas políticos, económicos e religiosos que produzem repressão, injustiça, corrupção, empobrecimento, miséria, intolerância, exclusão e morte devem converter-se e transformar-se hoje porque o tempo da conversão é este e amanhã pode ser muito tarde.
A Bíblia desafia indivíduos e instituições que detêm demasiados poderes e privilégios a serem um pouco mais humanos e justos, santificadas, transformados e renovados com práticas de amor, graça e solidariedade humana. Os indivíduos e as instituições com demasiados poderes e privilégios não podem pensar que são gentes ´mais´especiais e acima dos outros. Estes devem sim aprender o mais urgente possível e ser mais inteligente a partilharem os poderes e pivilégios que detêm em demasiado com os outros que não possuem absolutamente nada e vivem como mendigos e estrangeiros na terra onde nasceram e existem. O Pastor Prof. Abraham Heschel dizia que: “ O santo era aquele que não sabia como não era possível não amar, não ajudar, não ser sensível à ansiedade e necessidades dos outros”.

6. A Distorção da Verdade Bíblica e a Desgraça da Raça Humana
Nenhuma mulher e nenhum homem deve cometer o erro de pensar que consegue amar as outras pssoas com as suas próprias forças. Impossível! O homem natural só consegue conviver com aqueles que são seus amigos, aqueles que pensam como ele e concordam com os seus pensamentos mesmo se estiverem errados; o homem e a mulher natural só sabe falar bem daquels que o fazem bem, dançam a mesma música e tem os mesmos interesses. O homem e a mulher natural só vê interesses e oportunidades e nada mais. A sua lealdade e amizade tem como substância interesses e oportunidades pessoais. O homem e a mulher natural não conseguem ver o poder de Deus que está além das suas limitações humanas. A lógica do homem e da mulher natural é: “quem não é por nós é contra nós”.
Na verdade a existência de inúmeras marcas da religião denominacional representam a maior traição e insuficiência humana contra a missão e cruz de Jesus Cristo. A cruz de Jesus Cristo representa amor, reconciliação e unificação de Deus com toda a raça humana (S. Joâo 3:16), mas o denominacionalismo representa a contínua e incorrigível falência humana de não poder amar, unir, tolerar, respeitar a diferença e apreciar a diversidade. As marcas da religião denominacional são na verdade as marcas do fracasso do homem e a sua pretensão de substituir Deus e pensar que é Deus aqui na terra. Jesus Cristo não foi enviado para este mundo para julgá-lo e dividi-lo em grupos religiosos denominacionais, mas sim salvá-lo e uni-lo á Deus. As marcas da religião denominacional não salvam ninguém, antes pelo contrário levam o povo á uma maior divisão, intolerância e fragmentação, cegueira e obscurantismo espiritual e eventualmente a perdição. Tudo não passa duma fraquesa, insuficiência e pretensão do homem natural de pretender arrogantemente substituir Deus e a Sua Palavra.
A raça humana já provou variadíssimas vezes durante a história da sua existência que está mais capacitada para odiar, invejar, caluniar, mentir, perseguir, excluir e eliminar os outros que são e pensam diferente do que amar. A história regista que as apetências humanas de intolerância levaram-no ao extermínio de outras pessoas porque alguns cristãos que se julgam superiores às outras raças povos, tribos e grupos. O teólogo e sociólogo Marcus Borg no seu livro entitulado “Conflicto e Mudança Social” dá-nos bastante evidências que a tradição Bíblica é na verdade pregar e trabalhar para a eliminação de injustiças sociais, políticas, económicas e religiosas e não a sua promoção.
Um dos maiores desafios da fé cristã é imaginar e acreditar nas possibilidades que existem para que o reino de Deus seja feito aqui na Terra, assim como está nos Céus. Mas como é possivel imaginar um reino de Deus estabelecido aqui em Angola (na politica, economia e religião) sem perseguição, sem ódio nem inveja, sem exclusão nem dsicriminação, sem fome nem sede, sem empobrecimento nem miséria, sem opressão nem sofrimento, sem doenças nem mortes prematuras? Como é possível que o reino de Deus seja uma realidade quando a Igreja de Jesus Cristo transformou-se numa sinagoga de satanás onde domina a indiferença, a cumplicidade, o ódio, a inveja, a intriga, a calúnia, a mentira, a falsidade, a exclusão, o regionalismo, nepotismo, amiguismo e o clientelismo, a perseguição e a vingança, tudo aquilo que são as marcas do anti-Cristo?
Não é suficiente para os cristãos falarem do amor de Deus dentro das quatro paredes dos seus templos, quando na verdade mais se odeiam. O amor de Deus é para o mundo e deve ser praticado no mundo por qual Jesus Cristo deu a sua vida. Os que acreditam sómente na Bíblia e nos direitos humanos são chamados á efectivarem a vontade do Único Deus Criador aqui na terra assim como está nos céus, seja qual fôr o preço. O Pastor Prof. Abraham Heschel acredita que “é praticando o amor e fazendo a justça ao nosso próximo que mostramos o nosso amor por Deus e pela sua própria justiça que não é senão misericórdia e graça infinita para nós pecadores e a nossa melhor avaliação de como amamos Deus é simplesmente avaliarmos a mentira e falsidade como pensamos e tratamos as outras pessoas. A primeira carta de João ensina-nos também que não podemos dizer que amamos Deus quando na verdade odiamos, caluniamos, reprimimos e empobrecemos o nosso próximo, “somos mentirosos”. 
Se quizermos saber como melhor amar Deus devemos iniciar a nossa atenção e acção numa outra perspectiva e direcção: “Preocupar-mo-nos um pouco mais com as outras pessoas e tratarmos um pouco melhor as outras pessoas em especial aquelas que são diferentes de nós e que não pertencem ao nosso grupo de interesses, privilégios e favores”. A parábola do BOM SAMARITANO é o expoente máximo de exemplo que a Bíblia oferece para cada seguidor de Jeus Cristo e como nos devemos situar. A verdade desta parábola é que a sua mensagem é tão real e verdade nos nossos dias. A Igreja de Jesus Cristo nas suas divisivas denominações do nosso tempo, está cada vez mais alienada do sofrimento do povo que supostamente pretende representar e dirigir espiritualmente.
O Prof. Reinhold Niebuhr nos últimos anos do seu tempo como professor no Union Theological Seminary em Nova Yorque disse em 1928: “É quase impossível ser de um são juízo num lugar e cristão ao mesmo tempo. E no seu todo eu tenho sido mais são do que cristão. Eu disse o que acredito, mas a minha crença, a divina loucura do Evangelho do Amor é qualificado pelas considerações da moderação que um crítico não amigo poderá chamar de oportunístico. Fiz estas qualificações porque parece-me que sem elas a ética cristã degenera-se no asceticismo e torna-se inútil para qualquer direcção dos problemas da grande sociedade. Aqueles que de entre nós fazem adaptações entre o ideal e o absoluto da nossa devoção (amor) e as necessidades imediatas e urgentes da justça social (económica e religiosa), nunca terão paz porque não estaremos certos se fizemos a nossa adaptação no lugar certo. Eu preservo-me no esforço de combinar a ética de Jesus Cristo com aquilo que chamamos a cautela grega porque não vejo grande ganho nas experiências do asceticismo. Para reivindicar esta estratégia conto com a autoridade total do Evangelho de Jesus Cristo. Quando alguém lida com os assuntos da sociedade, estamos a reafirmar um princípio de amor, mas não podemos ignorar que a sociedade é brutal e que os princípios do amor cristão podem muitas vezes não serem suficiente fermento de transformação”.
7. O Absolutismo Bíblico dos Direitos Humanos
O absolutismo do amor ao próximo deve ser sempre o ideal Bíblico e permanecer parte das preocupações políticas, económicas e religiosas que têm a haver com a dignidade e integridade humana que na realidade são os fundamentos dos direitos humanos. Para aqueles que estudaram o pensamento de Reinhold Niebuhr, acreditam que a justiça social não é como o amor e que os direitos humanos não são a mesma coisa que a caridade. A justiça social é na verdade um instrumento do amor e dos direitos humanos. Podemos mesmo afirmar sem medo de errar que a justiça social é e será sempre necessária para que exista amor, direitos humanos e solidariedade humana em Angola. Mas também admitimos que muitas vezes ela por si só nâo é suficiente. A justiça social qualifica o amor em situações concretas da vida, da existência e das relações humanas numa sociedade e muitas vezes gera conflitos quando a minoria que detem todo o poder e privilégios nega partilhar os mesmos com a maioria que não tem absolutamente nada e muitas vezes o pouco que possui é-lhe violenta e brutalmente retirado.
O conceito perfeccionista do amor Bíblico pode muitas vezes ser subjectivo, abstracto e estar perdido no ar das impossibilidades por causa da imperfeição e limitação humana que levianamente se esquece do Deus do impossível que adoram e buscam. Na verdade foi isto que provocou o Prof.Niebuhr a descrever este amor Bíblico “como uma impossibilidade possível”. Contudo, não devemos nos esquecer que a própria Bíblia nos ensina que “Todas as coisas são possíveis para aqueles que acreditam”. E no fim de tudo o que parece impossível para o homem e a mulher “natural” é possível para Deus, o Criador e Salvador do Mundo. O escritor Norman Pittinger , bastante influenciado pelo pensamento de Charles Wesley, no seu livro entitulado “Unbounded Love” (1976) reflectiu sobre a carta de 1 João 4:8 “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor ”, dizendo que a divindade de Deus é expressa em si próprio e em mais nada, e centrada no seu amor para com as outras pessoas mesmo diferentes de nós”.
Em termos metafísicos, dizer que Deus é amor significa que o Universo e toda a sua criação é pura, infinita e santa. A verdade é que o amor de Deus é um amor diferente daquele que os humanos falsa e hipócritamente tentam exprimir. Os humanos na verdade têm a pretensão de amar, nunca amaram, não sabem amar porque quem ama é sómente Deus, cuja essência é amor. Sómente aqueles que individualmente conhecem o amor de Deus em suas vidas demonstrado por Jesus Cristo na cruz, conseguem tentar amar e fazer justiça social, económica e religiosa para toda a criação. O amor de Deus é puro e para todas as pessoas, não está e nunca estará contaminado pela maldade, pela injustça, pela repressão, intolerância, inveja, ódio e intolerância do homem e da mulher “natural”.

A verdade é que o amor humano é limitado porque amamos condicionalmente ao contrário de Deus que nos ama incondicionalmente. O nosso amor é influenciado pelos interesses que temos individual e colectivamente. Tentamos amar aqueles que são do nosso grupo de interesses e odiarmos aqueles que não são. Por isso, o ser humano é altamente propenso e vulnerável à atitudes e práticas de injustiças, intolerâncias, discriminação e exclusão, invejas, ódio, perseguição e violência, chegando mesmo ao ponto de efectivarmos cega e errôneamente em nome de Deus a destruição e extinção de outros seres humanos, puramente para mantermos os nosss próprios interesses na pretensão de estarmos a fazer um favor á Deus.
O amor humano não é só limitado e cheio de defeitos, como também selectivo, exclusivo e perigoso para a existência dos outros. Ele sómente tem olhos de quem vamos amar, odiar, proteger, perseguir e eliminar. Somos simpáticos para aqueles que concordam e apoiam as nossas ideias e odiamos todos os opositores; Sômos sociáveis para os nossos amigos e fomentamos intrigas e calúnias contra os restantes diferentes. O amor humano, em particular daqueles que professam a religião denominacional é na sua essência discriminativa, exclusivista, repressiva e poisiona-se contra os direitos humanos e liberdades fundamentais da pessoa humana como estipulado na Bíblia assim como na Constituição da República de Angola e em vários protocolos e convenções internacionais. Na verdade a religião denominacional é a consequência expressiva da violação dos direitos humanos frutos da intolerância trazidas pelo colonialismo e civilização ocidental. È só termos a coragem e humildade para reflectirmos nos efeitos nefástos e divisionistas que a religião do denominacionalismo trouxe e implantou na vida política e religiosa em Angola. O denominacionalismo ocidental na realidade fomentou, promoveu e apoiou o divisionismo político, religioso e social Angolano. A religião do deniminacionalismo é o progenitor de todos os outros nefástos “ismos” tais como regionalismo, tribalismo, nepotismo, amiguismo, clientelismo e favoritismo.
Charles Hartshorne diz o seguinte: “O Amor humano não é puro mas cheio de indiferença, dureza do coração, resistência para ou incapacidade para algumas relatividades. Literalmente nós humanos não amamos, mas sim com qualificações e metafóricamente. O amor definido como justiça social, económica, “tolerância política e religiosa” e o bem estar social de todas as pessoas literalmente é sómente Deus”. Carol Norton ainda acrescenta o seguinte: “O amor não é um dos nomes de Deus, nem é um nome para Deus, mas é tudo e em todo, Deus. O amor, o Único Criador e Salvador da raça humana , essência do seu Ser, sua origem e o final de toda existência. A energia da vida do universo é portanto o imanente amor de Deus e nada mais”.
A minha firme convicção é que sempre que estivermos envolvidos numa luta contra os sistemas políticos, económicos e religiosos de injustça, corrupção, intolerância, empobrecimento, sofrimento, miséria no mundo, estamos na verdade a cumprir o mandato Bílico de Jesus Cristo e proteger a integridade do Evangelho contra interesses, tradições denominacionalistas que atentam contra o amor incondicional, justo e inclusivo de Deus. Na verdade a igreja do denominaciolismo violentamente susbtitui a Palavra e o Amor de Deus pelas tradições e costumes humanos todos defectuosos e discriminativos.
8. A Bíblia, Direitos Humanos e a Tragédia da Raça Humana

Direitos humanos é na sua essência a protecção da dignidade da raça humana criada á semelhança e imagem de Deus contra todas as forças, autoridades e sistemas politicos, económicos e religiosos que produzem o sofrimento, empobrecimento, miséria, intolerância, exclusão e elitização da sociedade. A promoção e defesa dos direitos humanos liberta as pessoas destas forças, sistemas e autoridades opressivas que empobrecem o povo de Deus ontem, hoje e amanhã. A promoção e defesa de direitos humanos liberta o povo de Deus das algemas do obscurantismo e do sub-desenvolvimento espiritual que os sistemas ditatoriais religiososs caducos, preconceituosos transformaram o Evangelho de Jesus Cristo como um instrumento de interesses, privilégios, elitização, subalternização, medo e inolerância. Infelizmente a religião denominacional não parou com as suas divisões e como cogumelos, mesmo no tempo seco nascem, simplesmente por causa da intolerância e repressão religiosa que continua até nestes nossos dias. Esta é maior tragédia que o homem e a mulher natural infligiram contra a Igreja de Jesus Cristo.
As acusações que os sistemas politicos, económicos e religiosos fazem de que diretos humanos é confusão de pessoas frustradas, fantoches e influências externas que procuram desestabilizar regimes supostamente eleitos democráticamente embora totalitários e corruptos é tudo mentira e barato, porque foram os próprios poderes que livremente aderiram e ratificaram os diferentes protocolos e convenções continentais e internacionais, incluindo a própria Constituição do país. A promoção dos direitos humanos nada tem a haver com a tomada do poder político, económico ou religioso, mas simplesmente apela a efectivação da dignidade e integridade humana. Direitos Humanos são sim um mandato biblico que prevê o alcance do Amor de Deus para toda a raça humana e exige dos sistemas politicos, económicos e religiosos a materialização da justiça social e solidariedade humana de acordo com o Evangelho de Jesus Cristo. Direitos Humnos é sim uma reivindicação legítima, uma negação ao status quo e á desumanização do povo de Deus. Direitos humanos é o chamamento de Deus á uma sociedade errante, injusta, elitista, corrupta, discriminatória, intolerante, opressiva, exclusivista e insensível.
O Art. 30° da Declaração Universal dos Direitos Humanos estipula que: “Nenhuma disposição da presente declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar acto destinado a destruir os direitos e as liberdades aqui enunciadas”.

No Evangelho segundo Marcos 10:42-45 lêmos o seguinte: “Então Jesus disse-lhes: “Como sabem, os que governam os povos têm poder sobre eles, e os grandes são os que mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, aquele que quizer ser grande deve servir os outros.... pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas sim para servir e dar a sua vida para resgatar a humanidade”.
Conclusão
A Bíblia e as várias convenções e protocolos internacionais de dreitos humanos e a própria Constituição Angolana protegem a efectivação dos direitos humanos não como uma escolha ou opção e muito menos uma dádiva dos poderes politícos, económicos e religiosos mas sim uma obrigação por parte daqueles que exercem a governação do país particularmente quando “supostamente” foram eleitos democráticamente pelo povo. A promocão e materialização dos direitos humanos é sim um mandato Bíblico, uma obrigação e missão divina que não é negociável nem pode ser comprometida por interesses pessoais ou de grupos. Os poderes políticos, económicos e religiosos honestos, justos, transparentes e responsáveis nunca deviam sentir medo dos direitos humanos e das liberdades de expressão e de pensamento constitucionalmente estabelecidos e muito menos intimidar, perseguir e amordaçar os activistas. Promover e efectivar os direitos humanos em Angola é na verdade restaurar a imagem e semelhança de Deus em cada Angolano e Angolana, seja quem fôr porque todos sômos criaturas do Deus o Ùnico criador da raça humana.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Congo colonel gets 20 years after rape trial

BARAKA, Congo (AP) — A Congolese court sentenced an army colonel to 20 years in prison Monday, convicting him of crimes against humanity in the highest-profile sexual violence case ever tried in this nation where thousands are brutally raped each year.

The mobile court held in the lakeside village of Baraka marks the first time a commanding officer has been tried for such a crime.

Prosecutors had sought the death penalty for Lt. Col. Mutuare Daniel Kibibi, 46, who was accused of ordering his troops to attack the village of Fizi on New Year's Day where doctors later treated 62 women for rape. One woman testified that Kibibi himself raped her for 40 minutes.

As the defendants were being led away in handcuffs, hundreds of people jeered at them, booed and shook their fists. Some shouted, "Kibibi! You thought you could get away with this! Now you are going to jail!" and "You must pay for your crimes!"

Kibibi, who is married with eight children, was convicted of four counts of crimes against humanity but will serve no more than 20 years in prison. He denies all the charges and says the court testimony by his bodyguards was all part of a plot to denigrate him.

Kibibi's lawyer Alfred Maisha described his client as a "valiant hero" who had served in the army since 1984 and had put his life at risk many times in the defense of the country. Maisha said many of the troops under Kibibi's command were poorly trained and included former members of rebel and militia groups.

Witnesses said the soldiers had descended in a fury from their hilltop camp, smashing down doors and going from home to home, pillaging, beating and raping, from 7 p.m. until 6 a.m. the following day. The 49 women who testified about the New Year's Day attacks will receive up to $5,000 each in compensation from the government as part of the verdict handed down Monday.

Unspecified other damages must be paid for the attackers for their "traumatism, humiliation, degradation of their health, social stigmatization, risk of divorce, and possibility of HIV," presiding judge Col. Fredy Mukendi ordered.

Rape long has been used as a brutal weapon of war in eastern Congo, where soldiers and various militia groups use sexual violence to intimidate, punish and control the population. At least 8,300 rapes were committed in 2009, and aid workers say the victims have even included a month-old baby boy and elderly women.
The mobile court of military judges and pro bono lawyers was paid for by George Soros' Open Society Initiative and aided by several agencies including the American Bar Association, Lawyers Without Borders and the U.N. Mission to Congo.

Activists said they hoped it would serve as a warning to others who are brutally attacking civilians with impunity.

"Unquestionably, Lt. Col. Kibibi and his soldiers are more than a little stunned to find themselves on trial before this groundbreaking domestic mobile court. If word about the court is spread around the country, it could have an enormous impact on deterring future crimes, now that the rule of law is finally being enforced domestically, to at least some extent," said Kelly D. Askin of Open Society Justice Initiative.

Three of Kibibi's officers received the same sentences, and five others got lesser sentences. One man was acquitted and another, a minor, will be tried in juvenile court.
Military prosecutor Col. Laurent Mutata Luaba had demanded death sentences for the five officers accused and 20-year sentences for the rank-and-file. He said the men had "behaved like wild beasts," terrorizing and attacking the defenseless civilians they had orders to protect.

Many complained that the sentences handed down Monday were not harsh enough.

"We are happy that this trial has been held, but we are not happy with the result," said Oscar Muzaliwa, 26. "The sentences are too low. (They) should be put to death for what they did."

The total number of victims from the New Year's Day rapes will never be known. The women who testified in court were identified as Female 1 to Female 49, amid fears for their security and efforts to lessen the strong social stigma associated with rape in Congo.

The other victims would not testify, fearful of being shunned by their husbands and community, or of reprisals by the military.

The horrors recounted mounted up over four days of testimony by the women, their physical and emotional pain almost tangible, hanging in the heavy, humid air. Some spoke so softly it was hard to hear them over the sniffling and simpers of babies being nursed by half the victims.

One mother of six threw herself to her knees and raised her arms to heaven crying to God, and the military judges, for peace.

A lawyer recounted their statements in an open court where hundreds of people, mainly men and boys, gathered under a burning sun.

The 11 men brought to trial were the only ones identified by victims, but there were more than 100 soldiers at the Fizi camp on New Year's Day and many remain in the area.

"We are very fearful," one woman said as she nursed her baby. "Most of the rapists are still right here in our village. If we go to the river for water, we get raped; if we go to the fields for food, we get raped; if we go to the market to sell our goods, we get raped. Our lives are filled with danger. There is no peace."